1. Estevam, conte um pouco sobre sua trajetória profissional.

Quando comecei, em 1994, na minha cidade de origem ainda se produzia layout manualmente, com tinta nanquim, papel vegetal, filme rubi e letra set, como eu tinha facilidade com desenho, convidaram-me para aprender a trabalhar com artes gráficas.
Um ano depois tive contato com computador e os softwares básicos para se produzir artes gráficas. Trabalhei em serigrafia, fiz freelance com ilustração, artes gráficas e editorial.
Ao ingressar na faculdade de Sistemas de Informação mudei o foco para web design, trabalhei por alguns anos com layout, programação e animação para web.
Dois amigos, proprietários da agência Voz Propaganda, convidaram-me para trabalhar na área de criação como assistente, aceitei e gostei muito, tanto que prestei vestibular para o curso de Publicidade e Propaganda e mudei para Goiânia. Desde então, aprendi e cresci profissionalmente, trabalhei na Inédita Propaganda por três anos, onde tive experiência com on e off, atualmente estou na AMP Propaganda.

2. Em sua opinião, quais características básicas um diretor de arte deve ter?

Gostar de arte, desenho, cinema, fotografia, tipologia, ser muito observador e curioso, ser criterioso,
não ter preguiça e gostar de pizza, pois as jornadas de trabalho são longas.

3. Você possui alguma técnica ou hábitos que influenciam no momento da criação? Aonde você vai buscar inspiração?

Quando inicio um job novo, procuro me desligar de preocupações ou do que estava fazendo anteriormente. Considero isto importante porque o job precedente pode deixar resquícios de linguagem visual ou estilo artístico. Vejo outras coisas bem diferentes para “arejar” a mente, e durante o processo de trabalho algumas pausas são importantes para avaliar a qualidade. Caso surgir o bloqueio criativo, dar uma volta e distrair, as vezes resolve.

A inspiração vem de vivências, da memória cultural e de referências.
Não é na mesa do computador que estão as inspirações, mas no mundo que acontece lá fora.


4. A direção de arte é uma área bastante disputada e composta por bons profissionais. Você tem alguma dica pra quem está começando agora conquistar espaço?

Humildade para aprender primeiro, ser persistente. Um diretor de arte não se forma da noite para o dia, é resultado de conhecimento teórico, cultural, técnico e prático acumulado, está sempre em construção. É importante estar atento aos movimentos culturais, tendências e estudar continuamente as áreas afins.
Caso não tenha experiência profissional, vale criar algumas peças e montar uma pasta, ter iniciativa para fazer acontecer o começo.
Iniciar como assistente de arte é um bom caminho. Faculdade e diploma não garantem que uma pessoa esteja pronta profissionalmente, apenas oferecem o básico de conhecimento teórico, pouco conhecimento prático e bagagem cultural que o profissional precisa para resolver a realidade da agência no dia-a-dia.
É importante conhecer onde se quer trabalhar, sua história, suas políticas e formas de trabalho.

5. Os curtos prazos para a entrega de projetos são alvo da reclamação de vários profissionais. Você vê esse pouco espaço de tempo como um limitador da criação e da propaganda em geral?

É limitador, mas cada região tem seu mercado, cada agência tem sua realidade e o profissional
tem que estar apto a responder de acordo com o ambiente em que está inserido.

6. Goiás está revivendo o seu clube de criação. Qual a importância desse clube? Como ele pode colaborar para a propaganda goiana?

O clube é importante para elevar a qualidade do que é produzido em Goiás, como consequência tornam-se mais relevantes as agências, os profissionais e os fornecedores goianos.

7. Em sua opinião, o mercado goiano ainda vive uma realidade distante de outros mercados brasileiros? O que mais influencia para que isso aconteça?

O mercado goiano vive uma realidade diferente de alguns e distante de outros, pois o mercado brasileiro não é nivelado, em cada região comporta-se de forma diferente.

Na minha opinião não é um fator, mas dois, investimento e insegurança. Investimento influencia na viabilização de grandes ideias, formação de bons profissionais e disponibilidade de fornecedores que atendam bem as agências. Aqui há muita insegurança em investir em ideias ousadas, no nível do mercado Rio/São Paulo. Existe mais insegurança do que investimento.

8. Cite um dos últimos trabalhos que tenha gostado de criar.

A campanha anual para a LG Sistemas.

  • Beto Machado

    O Estevem é realmente bom no que faz. Já tive a oportunidade de trabalhar junto com ele na Inédita Propaganda, onde aprendi muito principalmente no quesito: esquecer tudo antes do próximo do job.

    Outra coisa que me chama muito a atenção no que ele fala é sobre a formação dos profissionais: muitos saem “prontos” da faculdade ou do primeiro emprego e não tem humildade suficiente em ouvir e aprender. É um mal que sofre a nossa geração, que lá na frente a seleção natural irá destinguir entre os bons e os regulares.