“Para cada post genial. 113 textões.” um dos vídeos da campanha Pepsi para a volta dos limões como representantes da versão Twist,  começa com essa frase. E isso é bom para dizer que esse post vai ser um textão do mundo chato para a campanha cool.

Sempre gostei da forma como a Pepsi tratava os limões como personagens dentro da comunicação da marca no Facebook e no Twitter, por exemplo. Dois personagens que sabiam muito bem como levar a linguagem leve e interagir com o público alvo da marca. Confesso que quando foram substituídos pelo Rodrigo Faro, talvez numa aproximação do público do apresentador, eu achei ruim e achei que podiam ter conciliado a presença dos dois.

Agora, com a volta dos personagens, a Pepsi errou feio e errou rude. O tradicional grito entoado por algumas pessoas que dizem que “o mundo está chato” é, na maioria das vezes, para desmerecer alguma luta, seja ela feminista, racial, orientação sexual etc. E, na maioria das vezes é naquela tentativa falha de fazer alguma piada e ser o legalzão do Twitter.

Não consigo entender por que uma marca como Pepsi reforça um pensamento como esse, já que é sabido que a propaganda influencia sim no comportamento social e que o esforço da marca poderia ter sido no caminho contrário. O comercial, em momento algum ataca uma dessas lutas diretamente, é verdade. Mas ao meu ver, nem precisa. É aquela velha história de que entendedores entenderão.

E claro que, o comercial iria ganhar apoio de boa parte da população, afinal, essas lutas vêm tentando mudar o pensamento das pessoas há algum tempo, mas ainda não conseguiram atenção da grande maioria. Até porque, se fossem a maioria da população, não seria uma luta, né?

O que a maioria da população não entende é que aquela piadinha prejudica boa parte daqueles que se enquadra em uma “minoria”. Que aquilo que é visto como uma piada é na verdade uma exclusão e que quem decide se as palavras são uma brincadeira ou não é quem faz parte da minoria e não o piadista.

Esse discurso da Pepsi só vem para reforçar a visão de milhares de pessoas, que desmerecem as lutas, que não entendem o que é prejudicial pro outro e que só pensam nelas.

O que eu quero dizer é que, se o seu amigo negro, gay, mulher etc não se importa com a piada que você faz diretamente a ele, tudo bem. Mas a partir do momento em que o outro se sente prejudicado não quer dizer que o “mundo está chato”, é você que não sabe a hora de parar.

Provavelmente, tudo o que eu falei aqui foi identificado ao construir a campanha e isso é o pior de tudo. Em algum momento a propaganda aprende.

A campanha, que tem conteúdo na TV e internet, tá aí:

https://www.facebook.com/PepsiBrasil/videos/10153796150803467/?theater