Quando Paul Baran, um dos fundadores da Arpanet (a base da internet atual), faleceu em 2011, não imaginava que a web poderia se desconstruir do modo como conhecemos em tão pouco tempo.

A descentralização das redes aconteceu impulsionada pelos Hiperlinks, a grande virada estrutural para que a Internet se tornasse a Internet que temos hoje. Esse jogo de endereços transformou a web em uma verdadeira rede, onde os usuários relacionavam conteúdos, matérias, mídias de uma forma onde todos poderiam contribuir e consumir.

paul_baran

Nos computadores do mundo todo, tínhamos pequenas versões de grandes companhias, mas a web sempre foi conhecida como um lugar um pouco mais democrático, onde cada pessoa poderia ter voz, independente de fazer ou não parte de uma grande corporação. Se o seu conteúdo fosse interessante, ele era linkado, era compartilhado, era divulgado por toda a rede, alcançando mais e mais pessoas em diversas plataformas, páginas, sites, etc.

Mas, de uns tempos pra cá, isso tem mudado um pouco.

As redes sociais estão procurando, cada vez mais, manter o seu usuário ali dentro, sem olhar pro vizinho, ou pra outra aba. Facebook, Twitter e outras plataformas já permitem a abertura de links sem sair do app mobile, de modo que você não precise abrir um Chrome ou Safari para ver determinado artigo e notícia.

Além disso, Mark Zuckerberg provou não ser um fã de links, ou hyperlinks. Com o Facebook, ele não encoraja que você crie links, mas que marque e gere conteúdo no próprio site. No Instagram, ele simplesmente os proibiu. Depois, desenvolveu os Instant Articles, que são notícias e artigos que são apresentados no próprio Facebook, sem a necessidade de um ambiente externo (você pode entender um pouco mais aqui).

Agora o grupinho do Markinho divulgou que os Instant Articles serão abertos para TODOS os produtores de conteúdos no mundo inteiro. Ou seja, agora todos poderão divulgar seus artigos dentro da ferramenta do Facebook. Ou seja, muitos blogs e sites migrarão para essas ferramentas. Ou seja, você não precisará sair da rede social azul para consumir o conteúdo que tanto ama.

E isso é grave.

O Facebook gosta que você permaneça nele. Os vídeos já são embutidos na rede social e, em breve, artigos externos também serão. Mr. Zuckerberg está criando então um espaço insular que consuma toda sua atenção — para que ele a venda para os anunciantes.

Agora, com aproximadamente 1.5 bilhões de usuários ativos mensalmente e um crescimento particular em lugares menos desenvolvidos, o Facebook é a Internet para muitos — 58% dos Indianos e 55% dos Brasileiros acreditam que o Facebook É a Internet, de acordo com uma pesquisa publicada pelo Quartz.

Com essa centralização de poder e conteúdo, perde todo mundo. Perde o criador de conteúdo, já que ele usará a plataforma de anúncios do Facebook em seus artigos (a rede social diz que pode-se usar Adsense nos artigos, mas sabe-se lá até quando) e o valor repassado pode cair. Perde a agência de mídia, que terá mais limitações para negociar espaços e formatos de anúncios. Perde o mercado, já que a concorrência se tornará cada vez menor e mais desleal, com o Facebook se impondo sempre mais e mais. E perde a sociedade, que deixará de utilizar a Internet raiz, Internet moleque, que agora terá um grande ditador: General Zuckerberg.

Brin e Page, o futuro da web está em vossas mãos. #TeamGoogle

facebook x google