Mais um daqueles cases que fazem parte da galeria “errou feio, errou rude” entram para a publicidade brasileira. Parece que o publicitário não consegue mais deixar de ser sem noção. E talvez esse seja mais um reflexo daqueles que a gente sempre faz de que cada vez mais precisamos sair de dentro das agências, conhecer o mundo, trocar ideias com o público e não só viver no imaginário publicitário.

Para contextualizar um pouco: passamos agora pelos jogos olímpicos, foi tudo maravilhoso, o tal espírito olímpico reascendeu a paixão do brasileiro pelo o esporte e tudo mais. Como sabemos logo depois essa fase é hora de entrar em cena outros atletas, os paralímpicos. E também já é fato de que esses jogos não recebem tanto investimento nem atenção do público quanto os olímpicos. Isso (e outras coisas mais) fez até com que houvesse um clamor para que as pessoas comprassem ingressos para que o comitê paralímpico conseguisse retorno sobre o investimento dos jogos.

Ok, qual seria um bom jeito de chamar a atenção do público e valorizar os atletas então? Afinal, o Brasil é uma potência dentro desses jogos. Propaganda parece uma boa saída, certo?

Parece que essa foi a ideia da Vogue em sua nova campanha, mas que não deu certo. E não deu certo porque a África resolveu lançar um movimento com a #somostodosparalímpicos. Coisa que certamente nem todos somos e que nem todos sofremos diariamente com a limitação de quem é deficiente. E olha que já tinha um exemplo de erro com essa de “somostodosalgumacoisa” (alô Neymar, alê Lodduca).

Mas o problema não para só na hashtag, antes fosse, foi além. Eles erraram também nos garotos propaganda! Para representar o tal movimento,  manifesto ou seja lá qual foi o nome dado para isso na hora de defender a campanha pro cliente, trouxeram Paulinho Vilhena e Cléo Pires, “deceparam” os membros e os fizeram parecer paralímpicos.

vogue_somostodosparalímpicos

Poxa, se o intuito é dar visibilidade para a competição e também para os atletas, se a história dessas pessoas que superam seus limites ainda mais, porque não utilizar os atletas como protagonistas da campanha? Não é difícil pensar nisso, não é.

Fato é que o erro tá feito e parece que não sou só eu que penso assim. No Twitter e também no Facebook podemos ver algumas pessoas bem chateadas com a campanha e mostrando um pouco sobre como tinha potencial para ser algo bacana.

Tinha potencial, tinha muito pra ser contato, mas foi erro de novo.