Talvez, ao pararmos para perceber o quanto uma parte especial do mercado utiliza-se de ideias criativas, ousadas e que, ao invés de se deixarem levar pela tendência, muitas vezes preferem criá-las, me surge uma dúvida: As marcas grandes, hoje, são grandes porque pensam grande ou foi apenas um chute que deu certo? Quero dizer, será que tantas outras marcas regionais também não poderiam conseguir tanto share e like se começassem a pensar grande? Quando digo isso não me refiro a expressivos orçamentos ou a contratação de rostinhos famosos.

famosos_indigentes_milionarios_09

Quando digo isso me refiro a uma análise macro e micro melhor realizada, melhor planejada e, principalmente, melhor sentida. Mas como assim, sentida? Estamos falando de money aqui, cash, bufunfa. Sabe? Aquela que eu já ganho há 20 anos e sempre me rendeu bons frutos. Isso e aquilo é modinha, simbora pros meios tradicionais e taca-lhe a facada no final do mês. Estou bem assim, meu ego está contente. Obrigado.

Não! Num contexto em que as pessoas como público consumidor constroem sua própria identidade, seu próprio modo de pensar e formam grupos com seus semelhantes, as marcas devem ficar atentas a isso, devem se perguntar: Eu devo pensar fora da caixa e entender a realidade que eu vivo para me adaptar ou simplesmente sou eu quem decide quando acordar? Na segunda opção, acredite, você pode chegar a nunca abrir os olhos. Porque é o público quem deve comprar a ideia, quem deve apoiar ou criticar, enterrar de vez aquele relógio de pilha fraca e lente fosca ou dar o choque que faltava para alavancar o sucesso.

Pensar grande nunca foi tão mínimo e essencial para o crescimento, sabe, é como falar inglês – antes um luxo, hoje, é quase como saber andar de bicicleta. Pensar grande é acreditar na equipe e em si, como marca e como agência/estúdio/grupo de samba do criolo doido. Pensar que deu certo no passado, ótimo, deu certo mesmo, mas e agora? É uma nova onda, um novo strike, um a noite é escura e cheia de horrores, mas o sol logo chega em seguida.

48904583.cached

Quem nunca pensou no que queria ser quando crescer? Talvez ainda seja essa a pergunta, só que amadurecida. Quando lhe oferecerem a oportunidade de mudar, de enfrentar o medo do desconhecido, de seguir em frente, não deixe escapar, talvez seja uma última tentativa.

E o que me deixa ainda mais intrigado é que, não existe culpa apesar de tentarem jogá-la uns para os outros constantemente. A tal culpa é minha, é sua, é dele e daquela ali, é de todo mundo. A mudança vem a partir do conceito único de ser melhor, pra si mesmo e pro outro. Não é o cliente, que não estudou comunicação e consequentemente não pode opinar.

size_810_16_9_gloria-pires-como-comentarista-do-oscar-2016-para-a-rede-globo-fevereiro-de-2016

A culpa não é das estrelas, muitas vezes é nossa, que deveríamos estender a mão, ensinar mesmo, sabe, como se faz com as crianças? Pegar na mão e mostrar em números, em resultados reais, em estratégias que podem parecer complicadas e cansativas, mas que dão certo, movimentam, são vistas, que lhe tiram da cadeira e te jogam na rua, na ação, e não me venha mostrar a porcaria do mídia kit tendencioso! Mostre no rosto e nas opiniões do público, eles sim irão dizer sutilmente se o seu trabalho faz mesmo a diferença.

Saber vender é uma arte complicada, um dom, que começa quando se entende do processo como um todo, desde o briefing, que é mais do que um papel com informações. É a transcrição de uma real necessidade, de uma solução que precisa ser encontrada. É como um filho entregue ao seu protetor. Cuidar disso como se fosse seu é o primeiro passo. Sentir é o primeiro passo.

Então, sinceramente, com todo o coração, pensar grande não é um sonho, não é se achar o que não é, é apenas ter um objetivo focado no que você quer ser quando crescer.

Utopia acreditar que um dia sua margarina caseira estará ali, frente a frente com uma Qualy? Talvez, mas e se, só por um momento, você pudesse liderar, não por poder ou glória, mas para realmente fazer acontecer sabendo que dará certo: O que você faria? Pensaria grande e acreditaria no agora ou esperaria que outro o fizesse?  😉